- Ah, mas eu sei dos teus segredos…Você faz tanto esforço pra esconder, pra guardar, e não adiantou, agora ta tudo saindo pelos poros,quem olha nessa tua cara já sabe o que ta acontecendo. Cala a boca, porra! Não terminei de falar ainda! Você acha que eles não tão sabendo? Porque não levanta essa cabeça? Ta com medo de me encarar, tu não é homem não,hein? Eles já perceberam que tem algo errado aí. Espera aí que ta chegando alguém, limpa esse olho rápido… E vê só a cara dele quando olha pra você, ele ta vendo que tem alguma coisa, to falando…é agora, ta chegando….!
Súbito, outro bater surdo do lado de fora. Eu caído no chão, gemo, a cabeça sangrando, arrebentada, se abriu de pensamentos, se abriu de tanto bater na porta. A poça de sangue à volta. Eu preciso que alguém entre pra me ajudar, mas estou entre o buraco e a porta e o baú transbordou de segredos. Penso, ainda outra vez, mais um segundo. Um jato de sangue jorra. O bater surdo continua do lado de fora. Entre os segredos e as feridas, o sangue coagulando no chão, chego à conclusão alguma. Já gostei do meu próprio sangue um dia.
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