“Quem beber desta água tornará a ter sede”
(Evangelho de João,Novo Testamento)
Eu chamava por mim, tentava segurar-me, mas minhas mãos não conseguiam. Havia um buraco aberto,um buraco negro, sugando com uma força incrível. Como um veículo numa longa curva, a inércia, a força centrípeda. Não adianta gritar porque ninguém vai ouvir. O buraco aberto, sugando, se cair não saio mais de lá. Eu to no escuro, não dá nem mais pra respirar. Abri a porta e entrei no quarto escuro pra fugir do medo.Eu não sabia que havia um buraco lá dentro. No início, espreitei por uma fresta o corredor que percorri, depois a porta não mais se abria. A porta não abre mais. Abri o baú escuro e guardei meus segredos lá dentro. O baú cheio de segredos, agora não quer se fechar mais. Eu me desespero, meu segredos expostos. Fico sentado em frente ao baú, não deixo ninguém se aproximar, há coisas escondidas lá dentro. Uma respiração curta na escuridão. A falta de oxigênio. O ar carregado. O fio que sai de dentro do baú. Agora estou amarrado..Silêncio.Um cão que ladra na noite, algo acontecendo lá fora, na noite, o pêndulo de um relógio antigo que balança cada vez mais rápido,incomum. Minhas mãos e pernas que não param um segundo, to amarrado e tudo querendo se soltar. Todo esse desespero, eu com medo de cair de vez no buraco. Eu amarrado, bato na porta. O bater é surdo, sangra, ninguém ouve. Sinto na boca o gosto do meu próprio sangue.
Neste não me vi. Mas vi alguém. E era ele…
Então, de certa forma, me vi em segundo plano.
Quero sentir onde se encaixar: ““Quem beber desta água tornará a ter sede”
(Evangelho de João,Novo Testamento)”
Onde?
Um abraço!
Adorei esse texto. Gosto de coisas tristes e também me faz lembrar de mim a um tempo atrás.