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out
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Carta de um fumante – com referências.

“Ah, tivesse eu sabido do que ia acontecer no quarto, e teria pegado mais cigarros antes de entrar: eu me consumia na vontade de fumar”

Clarice Lispector, A Paixão segundo G.H


E  surpreendido no meio da noite quando me perguntavam: você está perdido? era – mas é que questionado assim, como um susto, me restava dizer: não, é que vou comprar cigarros. Teria eu cigarro nos bolsos? sim, sempre algum, meio amassado, pois nunca se sabe quando vai acontecer novamente, nestes dias de pouca sobriedade é de cigarros e bolsos que tenho precisado, quando pressinto que vai ser, acendo  cigarros, se você pudesse ver como estão minhas mãos agora, a cor dos meus dentes, e isto, isto que tenho por dentro, se você visse – mas eu não sei se são os anos de nicotina ou álcool ou se é… Eu vinha do lado oposto, no meio da noite dentro de uma cidade – porque cigarros tem a ver com cidades – até que a mim me questionaram: e o que é que no meu olhar dizia que eu estivesse alguma vez perdido? Eu que estava preste a vomitar também: coelinhos.Certas coisas, certas coisas devemos nunca perguntar – e se se pergunta, nunca, nunca no meio da noite, não se deve perguntar a alguém, não se olhos vivos e fundos falarem – você já viu como um cachorro vivo nos volve um olhar vivo que fala? “O cavalo lhe volveu uns olhos que falavam”, foi em Tolstói que lo? mas antes ainda nunca em susto, em surpresa jamais e. “Por la blanda arena que lame el mar, tu pequena huella no vuelve más”, eu ia ouvindo – no meio de uma cidade em noite me desmontavam – antes sequer que eu tivesse tempo de acender cigarros e. “ontem, durante horas e horas perdi minha montagem humana” é o que eu diria a quem me abordava: eu não contava que me alcançassem antes que eu chegasse ao outro lado, não, não era assim que eu planejara, não era assim que.

Eu: que  agora poderia acender-me um dedo  -  e fumar


1 Resposta para “Carta de um fumante – com referências.”


  1. 1 Luciano
    junho 21, 2010 às 12:58 AM

    “A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda.Dizem que se esconde por modéstia.Não é.Esconde-se para poder captar o próprio segredo.Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque.Não grita nunca seu perume.Violeta diz levezas que não se podem dizer.”
    Clarice Lispector


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